Até que a morte nos separe


Até que a morte nos separe
Abrir meus olhos lentamente…voltei a fechar e fiquei um bom tempo assim…abrir de novo…fechei…isso se repetiu varias vezes…até que finalmente fiquei com eles abertos,mesmo ainda tendo uma visão embaraçada…Naqueles primerios momentos depois da minha volta do coma que fiquei por 5 meses…sentia as coisas mais do via…as vezes via e não sentia..mas,tambem sentia e não viaPude senti e ver os amigas que estiveram todo aquele tempo segurando forte nas minhas mãos,até aquelas que eu pedi tantas vezes para me deixar…desisiti de mim…estavam lá…sempre esteveram..dia e noite…
Não sei se contei direito,considerando que ainda estava zonza,posso não ter sentido ou não ter visto,mas,acredito que naquele quarto,ao abrir meus olhos,ali estavam 4 ou 5 amigas que se revesaram e estiveram de alguma forma 24 horas comigo…
Contemplei a grandeza de se ter amigas verdadeiras e que souberam entender que naquela situação não era sobre elas,mas,sobre mim…,que sabiam que sai do coma era é so o inicio de uma longa caminhada,instavel e dolorosa e que o tratamento seria sempre intensivo e sem garantias…o nosso abraço foi demorado e intenso,abraço de quem tem intimidade e sabe o significado de dar a vida pelo irmão…agradeci enfaticamente e elas  e todas,sem exceção falaram que não havia nada pra agradecer,afinal elas só tinham me amando e cuidado de mim na minha ausência,coisa “normal” quando se ama…
Enquanto pensava na simplicidade complexa da frase dita por elas…”coisa normal quando se ama”…o silêncio e o barulho vindo do corredor me chamou atenção…estranhamente o barulho e o silencio estavam juntos,embaralhados…então caminhei lentamente até a porta…e antes de chegar ao corredor vi que uma pilha de revista enorme tinha se acumulado na minha ausência…parecia inacreditavel..”o september issue” que são as revistas mais importante do ano no mundo da moda,que lança as tendências da proxima temporada, e que são umas verdadeiras obras de arte e eu amava colecionar,usando algumas até com parte da decoração da minha casa, estavam em um canto empilihadas,como lixo…parei…olhei e pensei..“o que  será mais que parecia importante e essencial na minha vida e agora vou descobri  que se tornou lixo ?… e para quem eu era importante na alegria e agora na tristeza me tornei lixo? Bom,..mesmo perdida na imensidão de tantas perguntas sem respostas palpaveis, abrir a porta e logo percebi que tinha varios corredores e cada um me levaria a uma  area da minha vida eu precisava escolher um caminho para desbravar…não tive duvidas…aquela que já se mostrava instavel agora seria R E V E L A D O R A ,além disso era de lá que vinha o silêncio que fazia muito barulho – O CORREDOR dos AMIGOS.
Caminhando lentamente por esse corredor,logo percebi que: - Alguns amigos,  ainda estavam de joelhos em oração por nós…permanceram firmes durante os ultimos cinco meses e me falaram que  coninuarão clamando a Deus em favor da nossa familia-Outros de longe, observavam de perto, timidos, felizes e alguns INESPRECIVEIS – Muitos de pertos, já não observavam nem de perto nem de longe,tinham partido e me abandonado…parte deles não me espantei pois sabia que eram apenas pessoas que manifestam sua simpatia ou curiosidade em um momentos de luto e dor com esse -Mas,algumas delas realmente estranhei e minha alma chorou por isso…e mesmo passando algum tempo depois da minha volta ,continuo estranhando…pessoas considerada com amigas,até chamada muitas vezes de “best friends”…não estavam mais lá…simplesmente largaram meu corpo e minha dor no meio do  caminho e seguiram com suas proprias vidas, pois me tornei um peso e elas não suportaram…Percebi que muitos já não respondiam minhas mensagem,seja por e-mail ou por telefone,passaram a me ignorar como se eu estive uma doença contagiosa…e caminhando naquele corredor, hora quente, hora frio,não vi,mas,senti arromas vindo do meu passado,de amigos e e até familiares que nunca se quer telefonaram,mandaram cartãoes,flores ,um frio e-mail…ou um sinal de “estou aqui caso precise…” O barrulho do silencio  era ensurdecendor…e confesso que doeu…
Já entrando em um novo corredor, mas, ainda ligado aquele do “departamento amigos”,eu ouvi uma voz em tom alto que gargalhava…e dizia entre uma palavra inaudivel e outra  ”BEM FEITO” agora posso ver a “queda da dinastia“…eu não vi o rosto, mas, reconheci a voz e  meu coração sangrou…Deus por que tanta magoa? Então vindo da mesma direção, mas, de outro  coração, sentir, mas ,não ouvi, um coração que  quando soube da minha gravidez, sentiu “inveja” por tudo esta indo bem e “ perfeito” na minha vida e desejou,num relapso de pensamento, que de alguma forma esse meu ciclo de bençãos fosse quebrado”…e meu coração de novo sangrou….Deus por que tanta inveja?

E o conhecimento desses ” corações traiçoeiros “quase me fizeram voltar ao coma…então orei ao Senhor,e no primeiro caso da “amiga”,que desejou a   queda da “dinastia” ,Deus me respondeu em sonho,com visões do que aconteceria no futuro, eu assustada pedi a Deus misericordia por essa “amiga” e Deus me deu um segundo sonho, me mostrou que quando perdoamos podemos ajudar a mudar a historia de alguem. A respeito da segunda “amiga”,que desejou o “fim do ciclo de benção”que nunca abriu a boca,mas,o seu coraçao desejou ,Deus me disse  que eu mesma daria a  resposta,sem nunca precisar abrir minha boca  somente com os desejos do meu coração…

Cansada e sabendo que não seria possivel visitar todos os acontecimentos de uma só vez…e ferida demais para segui…resolvi voltar.No caminho de volta,observei que tinham outros corredores além daquele da  amizade…a maioria era assutador,mas,especialmente dois chamaram minha atenção…o que representava” eu comigo mesma” …tudo estava fora de lugar,desordenado,escuro…senti medo do dia que terei que enfrentar “meu estranho eu” -e o outro ,que simbolizava Deus e eu…era silencioso,grande e pequeno,largo e estreito…cheios de lugares desconhecidos e interessantes onde as lagrimas sorriem e o riso emoldura a dor,mas,a senssação que senti foi aquela de estar no utero ,interessante,não lembramos,mas,sabemos EXATAMENTE COMO É …aquele corredor era o utero da minha mãe…Viver com Deus é viver pra sempre na segurança,no amor,na dependencia,no aconchego e tantas outras coisas que só um utero pode nos dar…desejei entrar ali e deixar tudo do lado de fora,mas,não havia chegado o momento…

  

Finalmente ao chegar na ”UTI” encontrei minhas-  Amigas irmãs wireless- Apesar de não ver, pude senti cada uma delas…e abraçadas espiritualmente,choramos,choramos e choramos…depois choramos mais….mais e mais…mesmo nesse mar de lagrimas,pude ver as bandeiras coloridas em sinal de festa,pela minha saida do coma… e entre risos e lagrimas,pois a grande maioria delas tambem estiveram em coma um dia,me mostraram que caminhando juntas,o caminho se tornará mais leve.  Bom…depois de ter respirado oxigênio e gás carbonico…precisei colocar meus aparelhos respiratorios…tanto pelo bem dos amigos oxigênios,como pelo mal dos amigos gás carbonicos.

ahhh…e antes que eu me esqueça -”SE VOCÊ SE PERGUNTOU QUEM É VOCÊ NESSE CORREDOR” - o seu coração tem a resposta- “Pergunte a ele… mas, não se preocupe-SOMENTE EU,VOCÊ E DEUS, sabemos que a morte nos separou.”
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